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Image by Michael Olsen

Projetos

Projeto de Fortalecimento da cultura de
gestão de riscos de desastres no Brasil (2020)
BRA 012/17 – CASA SOCIAL - MDR/SEDEC/PNUD 

Este projeto tem como objetivo desenvolver um protótipo para moradias provisórias destinadas a situações de desastres no Brasil. A iniciativa avalia os custos financeiros, a viabilidade construtiva, econômica e de mercado das moradias, além de realizar análises abrangentes sobre aspectos fundiários, urbanísticos, de transporte, ambientais, de mercado e sanitários que possam impactar a efetividade dessas moradias provisórias.​

 

A produção de manuais construtivos com especificações técnicas e modelagens inovadoras de construção é um dos principais objetivos do projeto, visando atender a população afetada por desastres. Os beneficiários diretos incluem povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e outras populações vulneráveis. O alcance pretendido é nacional, respeitando as especificidades locais, culturais e climáticas de cada bioma, bem como as necessidades e potencialidades de cada região.

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Discussões participativas com potenciais intervenientes estão sendo promovidas sobre o desenvolvimento do protótipo. São produzidos manuais construtivos, especificações técnicas e modelagens para a implantação do protótipo, além de propostas de aprimoramentos normativos para o melhor uso e aplicação. Análises globais por região consideram aspectos fundiários, urbanísticos, de transporte, ambientais, de mercado e sanitários, para garantir a efetividade das moradias provisórias.

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Os resultados alcançados até o momento incluem o desenvolvimento de uma metodologia de pesquisa aplicada, o protótipo e o modelo de implantação de moradias provisórias para situações pós-desastre, baseados em um modelo conceitual desenvolvido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. Este projeto contribui significativamente para o fortalecimento da cultura de gestão de riscos e desastres no Brasil, oferecendo soluções práticas e inovadoras para proteger e apoiar famílias e comunidades em todo o país.

Diretrizes do Edital

O desenvolvimento do projeto foi norteado pelas diretrizes estipuladas no Edital nº 002/2019, que exigia soluções capazes de responder à urgência da reconstrução sem abrir mão da dignidade. As exigências fundamentais incluíam:

  • Tipologia Evolutiva: A previsão obrigatória de um modelo "Embrião" (unidade mínima funcional) que pudesse ser expandido posteriormente pela família ("Casa Completa").

  • Acessibilidade Universal: Garantia de acessibilidade (NBR 9050) desde a fase inicial da construção.

  • Adaptação Geográfica: Flexibilidade para implantação nas diversas zonas bioclimáticas do Brasil e topografias variadas.

  • Sustentabilidade e Economia: Uso de materiais que reduzissem custos e impacto ambiental.

  • Qualidade Habitacional: Atendimento aos requisitos de desempenho (térmico, acústico e lumínico) da NBR 15.575.
     

Resposta Técnica

Para atender às exigências do Edital, a equipe técnica, sob gestão do Instituto Avaliação, desenvolveu uma solução baseada em estruturas modulares de madeira e base de madeira plástica. As escolhas foram a resposta técnica para cumprir rigorosamente as 12 premissas de exequibilidade definidas pe3la SEDEC: 

  1. Modular: Edificação construída com módulos encaixáveis e geometria compatível, dispensando mão de obra superespecializada.;

  2. Rápida Montagem: Uso de componentes de encaixe e conexões parafusadas de fábrica, com fundações pré-moldadas para agilidade imediata.;

  3. Montagem sem ferramentas complexas;

    1. O sistema dispensa energia elétrica ou maquinário pesado na montagem. O kit da casa inclui ferramentas simplificadas (chave de boca e serrote), permitindo a participação da comunidade;

  4. Desmontável: Sistema de fixação por parafusos e porcas, permitindo a desmontagem integral caso o terreno seja provisório;

  5. Móvel: A característica desmontável viabiliza o deslocamento da casa para outros locais, adaptando-se a reordenamentos territoriais; 

  6. Fácil Transportabilidade: Sistema paletizável e ajustado a caminhões comerciais pequenos, garantindo logística para áreas remotas; 

  7. Leve: Componentes dimensionados ergonomicamente para serem manuseados por duas pessoas, sem necessidade de guindastes;

  8. Caráter Permanente: Diferente de uma barraca, a estrutura em madeira tratada confere solidez e durabilidade de casa definitiva;

  9. Resistente: Atendimento integral às normas de desempenho (NBR 15.575) quanto à resistência mecânica, fogo e estabilidade;

  10. Durável: Materiais com vida útil prolongada, apoiados por um plano de manutenção simplificado.

  11. Expansível: O sistema permite ampliações futuras usando o mesmo método construtivo, garantindo crescimento ordenado;

12. Sustentável: A madeira foi priorizada por ser renovável, possuir baixa pegada ecológica e atuar como armazenadora de CO².

Soluções Integradas de Gestão e Uso

Além das premissas construtivas, a solução integrou estratégias para garantir a longevidade e a viabilidade social do projeto:
 

  1. Projeto de Expansão Guiada: Do Embrião à Casa Completa

A arquitetura foi concebida para evoluir. O projeto entrega inicialmente o "Módulo Embrião" (aproximadamente 30m²), contendo o núcleo rígido hidráulico (banheiro e cozinha) e um cômodo multiuso. A inovação está no planejamento prévio das etapas de crescimento: o projeto executivo já define os eixos de expansão para que a família adicione novos quartos e amplie a sala sem comprometer a estrutura original ou a salubridade (ventilação e iluminação) dos ambientes existentes. Isso transforma a autoconstrução, geralmente desordenada, em um processo planejado de melhoria habitacional.

2. Autonomia com Assistência Técnica

Para instrumentalizar a autogestão, tendo em vista que em geral em contextos pós-desastres a presença de um arquiteto ou engenheiro que possa oferecer assistência técnica é escassa, o projeto desenvolveu um material instrucional completo, dividido em dois focos:

  • Manual de Montagem: Um guia técnico ilustrado passo a passo, permitindo que equipes locais ou a própria comunidade (em regime de mutirão assistido) realizem a montagem da estrutura básica dos kits com precisão. Desta forma, garante-se o abrigo até que uma equipe possa oferecer assistência técnica para a execução final do embrião.

  • Manual de Uso e Manutenção: Um documento voltado ao morador, com orientações simples sobre como preservar a madeira, realizar reparos preventivos e cuidar das instalações, garantindo que a vida útil da edificação seja preservada mesmo em condições adversas.

 

3. Viabilidade Econômica e Orçamentária

A solução técnica foi validada financeiramente para se adequar à realidade dos recursos públicos. Foram elaborados orçamentos analíticos detalhados e composições de custos unitários (baseados no SINAPI e cotações de mercado). Isso oferece ao gestor público a segurança de que o modelo é não apenas tecnicamente superior, mas economicamente exequível para contratações em escala.

Metodologia e Etapas

O projeto foi executado ao longo de 3 anos (2020-2022), percorrendo desde o diagnóstico e concepção arquitetônica, passando pela validação técnica e ensaios de componentes, até a elaboração dos projetos executivos finais e material instrucional para as comunidades.

Um dos diferenciais do Projeto Casa Social foi tratar a habitação emergencial para além de um "teto provisório". O desenvolvimento dos estudos de layout e arquitetura foi guiado pela premissa de que a qualidade do espaço impacta diretamente a recuperação psicológica e social das famílias. Para isso, o trabalho integrou rigor técnico e visão humanizada em três frentes principais:

 

1. Ergonomia e Dimensionamento Normativo

Os estudos de layout não buscaram apenas a compacidade para reduzir custos, mas a funcionalidade real. Cada ambiente foi dimensionado respeitando as áreas mínimas e os espaços de circulação exigidos para garantir a ergonomia e a mobilidade interna. O projeto seguiu estritamente a NBR 9050, assegurando acessibilidade universal (inclusive para cadeirantes) desde o módulo inicial, e a NBR 15.575 (Norma de Desempenho), garantindo que, mesmo sendo uma construção rápida, a casa ofereça segurança e durabilidade.


2. Conforto Ambiental e Eficiência Bioclimática

A qualidade de vida dentro da casa foi assegurada por estudos aprofundados de conforto térmico, lumínico e acústico. O desenho arquitetônico incorporou estratégias passivas de climatização, como o posicionamento estratégico de aberturas para favorecer a ventilação cruzada e o uso de proteções solares adaptáveis às diferentes zonas bioclimáticas do Brasil. Isso resulta em uma casa termicamente mais confortável e saudável, reduzindo a necessidade de consumo energético artificial.

3. Implantação e Inserção Urbana

Entendendo que a qualidade da moradia depende também de como ela se insere no território, o projeto expandiu seu escopo para a escala urbanística. Foram realizados Estudos de Possibilidades de Implantação, que analisaram diferentes arranjos das unidades no terreno para evitar a monotonia comum em conjuntos habitacionais de emergência e promover a criação de espaços de convivência qualificados, levando em conta:

  • Adaptação das unidades a diferentes topografias (implantar em curvas de nível, platôs, etc.);

  • Estratégias de insolação e ventilação urbana;

  • Composições de vizinhança que estimulem o pertencimento e a segurança comunitária

    4. A Importância da Multidisciplinaridade

     

Equipe Envolvida

A coordenação do projeto liderou uma equipe multidisciplinar para garantir que as premissas fossem cumpridas:

  • Arquitetura e Engenharia: Responsáveis pela inovação tecnológica, segurança estrutural e conforto ambiental.

  • Equipe Social (Serviço Social, Psicologia, Antropologia): Focada na leitura das necessidades das famílias atingidas e na adequação cultural da moradia.

  • Consultoria Econômica: Dedicada à modelagem de custos e viabilidade da implantação.
     

Resultados

O Projeto Casa Social destaca-se por transformar o paradigma da reconstrução pós-desastre no Brasil, substituindo a lógica do abrigo precário por uma solução de moradia definitiva e qualificada. Sua inovação central reside na adoção de um sistema construtivo racionalizado, desenvolvido sob premissas de exequibilidade para cenários de crise. Essa tecnologia une a agilidade necessária para respostas emergenciais, utilizando componentes modulares de encaixe que dispensam ferramentas complexas ou maquinário pesado, à durabilidade de uma edificação permanente, garantindo conforto térmico, segurança estrutural e sustentabilidade ambiental em todas as etapas do processo.
 

Um diferencial da proposta é a superação da casa estática através do conceito de "Módulo Embrião". Ao invés de entregar apenas uma unidade reduzida, o projeto fornece uma moradia com um plano de crescimento estruturado. O projeto executivo já prevê os eixos de expansão, permitindo que a família amplie a residência com novos quartos e áreas de convivência sem comprometer a estabilidade da estrutura original ou a salubridade dos ambientes. Essa estratégia de expansão guiada combate a precarização futura da moradia, evitando "puxadinhos" insalubres e oferecendo às famílias uma perspectiva concreta de evolução patrimonial e reconstrução da vida.
 

A iniciativa também inovou ao democratizar o conhecimento técnico e fortalecer a autonomia comunitária através da elaboração de um acervo instrucional completo, composto por Manuais de Montagem e de Manutenção. Essas ferramentas empoderam gestores locais e moradores, permitindo a autogestão da preservação do imóvel e a execução segura das ampliações. Além disso, o trabalho integrou a consultoria técnica à pesquisa acadêmica, resultado de parcerias com o projeto Morada de Luz do CEUB e o Laboratório de Produtos Florestais do IBAMA. 

O estudo garante que a inserção das casas no território respeite a topografia e crie vizinhanças qualificadas, evitando a monotonia espacial típica de assentamentos emergenciais e promovendo o convívio comunitário.
 

Por fim, a solidez do projeto foi assegurada pela validação econômica rigorosa de todas as soluções propostas. A equipe multidisciplinar entregou à gestão pública orçamentos analíticos detalhados e cronogramas físico-financeiros que comprovam a viabilidade de implementação em larga escala. Dessa forma, o Casa Social consolidou-se como um estudo técnico de referência que concilia a excelência da engenharia e da arquitetura com a sensibilidade social e a responsabilidade fiscal, necessárias para enfrentar o déficit habitacional em áreas de risco.

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